segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

" Aprendi que não posso exigir o amor de ninguém, posso apenas dar boas razões para que gostem de mim"...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

'Fingi ser gari por 8 anos e vivi como um ser invisível'

Psicólogo varreu as ruas da USP para concluir sua tese de mestrado da'invisibilidade pública'.
Ele comprovou que, em geral, as pessoas enxergam apenas a função social do outro.
Quem não está bem posicionado sob esse critério, vira mera sombra social..
Plínio Delphino, Diário de São Paulo.
O psicólogo social Fernando Braga da Costa vestiu uniforme e trabalhou oito anos como gari, varrendo ruas da Universidade de São Paulo. Ali,constatou que, ao olhar da maioria, os trabalhadores braçais são 'seres invisíveis, sem nome'.
Em sua tese de mestrado, pela USP, conseguiu comprovar a existência da 'invisibilidade pública', ou seja, uma percepção humana totalmente prejudicada e condicionada à divisão social do trabalho, onde enxerga-se somente a função e não a pessoa.
Braga trabalhava apenas meio período como gari, não recebia o salário de R$ 400 como os colegas de vassoura, mas garante que teve a maior lição de sua vida:
'Descobri que um simples bom dia, que nunca recebi como gari, pode significar um sopro de vida, um sinal da própria existência', explica o pesquisador.
O psicólogo sentiu na pele o que é ser tratado como um objeto e não como um ser humano. 'Professores que me abraçavam nos corredores da USP passavam por mim, não me reconheciam por causa do uniforme.
Às vezes,esbarravam no meu ombro e, sem ao menos pedir desculpas, seguiam me ignorando, como se tivessem encostado em um poste, ou em um orelhão',diz..No primeiro dia de trabalho paramos pro café.
Eles colocaram uma garrafa térmica sobre uma plataforma de concreto. Só que não tinha caneca. Havia um clima estranho no ar, eu era um sujeito vindo de outra classe, varrendo rua com eles. Os garis mal conversavam comigo, alguns se aproximavam para ensinar o serviço.
Um deles foi até o latão de lixo pegou duas latinhas de refrigerante cortou as latinhas pela metade e serviu o café ali, na latinha suja e grudenta.
E como a gente estava num grupo grande, esperei que eles se servissem primeiro. Eu nunca apreciei o sabor do café.
Mas, intuitivamente, senti que deveria tomá-lo, e claro, não livre de sensações ruins. Afinal, o cara tirou as latinhas de refrigerante de dentro de uma lixeira, que tem sujeira, tem formiga, tem barata, tem de tudo.
No momento em que empunhei a caneca improvisada,parece que todo mundo parou para assistir à cena, como se perguntasse:'
E aí, o jovem rico vai se sujeitar a beber nessa caneca?' E eu bebi.Imediatamente a ansiedade parece que evaporou. Eles passaram a conversar comigo, a contar piada, brincar.
O que você sentiu na pele, trabalhando como gari?
Uma vez, um dos garis me convidou pra almoçar no bandejão central. Aíeu entrei no Instituto de Psicologia para pegar dinheiro, passei pelo andar térreo, subi escada, passei pelo segundo andar, passei na biblioteca, desci a escada, passei em frente ao centro acadêmico, passeiem frente a lanchonete, tinha muita gente conhecida.
Eu fiz todo esse trajeto e ninguém em absoluto me viu. Eu tive uma sensação muito ruim.
O meu corpo tremia como se eu não o dominasse, uma angustia, e a tampa da cabeça era como se ardesse, como se eu tivesse sido sugado.
Fui almoçar,não senti o gosto da comida e voltei para o trabalho atordoado.
E depois de oito anos trabalhando como gari?
Isso mudou?
Fui me habituando a isso, assim como eles vão se habituando também a situações pouco saudáveis.
Então, quando eu via um professor se aproximando - professor meu - até parava de varrer, porque ele ia passar por mim, podia trocar uma idéia, mas o pessoal passava como se tivesse passando por um poste, uma árvore, um orelhão.
E quando você volta para casa, para seu mundo real?
Eu choro. É muito triste, porque, a partir do instante em que você está inserido nessa condição psicossocial, não se esquece jamais.
Acreditoque essa experiência me deixou curado da minha doença burguesa. Esses homens hoje são meus amigos.
Conheço a família deles, freqüento a casa deles nas periferias.
Mudei.
Nunca deixo de cumprimentar um trabalhador.
Faço questão de o trabalhador saber que eu sei que ele existe. Eles são tratados pior do que um animal doméstico, que sempre é chamado pelo nome.
São tratados como se fossem uma 'COISA'.
*Ser IGNORADO é uma das piores sensações que existem na vida.
Respeito: passe adiante!

'O HOMEM TORNA-SE TUDO OU NADA, CONFORME A EDUCAÇÃO QUE RECEBE'

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

SANTO SÚBITO



"Amem-se uns aos outros,assim como eu vós amei Não existe amor maior do que dar a vida por seus amigos" (joão 15,12-13)

Ao escrever este texto,quero dar um testemunho pessoal e também de solidariedade aos agentes e militantes da Pastoral da Criança(PACRI).


Quero dizer que não gosto de escrever sobre acontecimentos tristes ou trágicos,mas a vida nos leva e faz escrever,falar sobre estes acontecimentos.


Na última terça-feira 11 de janeiro,ficamos abalados com o cismo que atingiu e destruiu um dos países mais pobres do mundo e das Américas,onde um rico haitiano é considerado como o mais pobre do Brasil,segundo dados do F.M.I, Banco Mundial e o CEPAL.


Entre as milhares de vitimas pobres deste pequeno pais caribenho estava 20 brasileiros,militares da força de paz da ONU,e dois civis Luís Carlos da Costa da ONU e dona Zilda Arns Neumann de 73 anos,médica pediatria e sanitarista,fundadora da Pastoral da Criança da CNBB,da Pastoral de los Niños Internacional e da Pastoral do Idoso da CNBB.


Não conheci pessoalmente dona Zilda irmã de Dom Paulo Evaristo Arns,Cardeal Arcebispo hémerito de São Paulo,candidato a "papavel" e a "premio Nobel da Paz",pela sua defesa dos direitos humanos;como milhares de brasileiros,a conhecia pela mídia,enquanto a Pastoral da Criança conheço pessoalmente o seu trabalho e a dedicação de seus voluntários,em salvar vidas de milhares de crianças da desnutrição e de doenças que podem ser evitadas com atitudes simples e que ainda mata no mundo.


A Pastoral da Criança nasce em setembro de 1983,no município de Florestópolis(PR),um dos mais pobres deste estado na área da Arquidiocese de Londrina,cuja fonte de renda vinha do trabalho dos bóias frias,principalmente do trabalho temporario e de diarista,destes trabalhadores que trocavam vale por comida no único super mercado da cidade que pertencia a empresa em que trabalhavam,os filhos destes trabalhadores sofriam de desnutrição e muitos morriam antes de um ano de idade.Dona Zilda e Dom Geraldo Magella Agnelo arcebispo de Londrina,iniciam este trabalho com alguns professores municipais.


A obra iniciada por Zilda no inicio teve restrições dentro da Igreja,que via o trabalho como mero assistencialismo e que tirava a responsabilidade dos governos,em resolver o problema da fome,miséria e a pobreza.


Dona Zilda seguiu o conselho de Jesus,quando multiplicou os pães e os peixes:"Vocês que têm que lhes dá de comer''(Mc 6,34-44),ela falava que devemos ensinar a pescar e não simplesmente dar o peixe.Dar o peixe é cair no assistencialismo e perpetuar a pobreza e a miséria,faz com que o pobre seja objeto e não sujeito de sua transformação.


Temos visto agentes da PACRI,atuando nos bairros,vilas,favelas das pequenas cidades do interior as megalopoles, no campo nas comunidades carentes,como acampamentos e assentamentos,onde o poder público se nega a atender.


São 240 mil voluntários,80% mulheres pobres que atendem 1,6 milhões de crianças pobres. Com um trabalho simples estes agentes salvam vidas como o soro caseiro,aproveitamento de alimentos,multimistura,ensinando as mães e explicando o porque a lavar as mãos antes e depois das refeições, dar banho nas crianças, a pesagem,sopão,cursos de alfabetização aos pais das crianças atendidas,no combate a desnutrição,mortalidade infantil,marginalidade social e por políticas públicas.


Muitas destas agentes visitam as familias mensalmente,alguns casos diariamente e semanamente.


Não é atoa que hoje a Pastoral da Criança se encontra em 27 paises da América, África, Oceania,como em Timor Leste,atraves da Pastoral da Criança Internacional. Dona Zilda poderiá entrar no roll dos santos e santas canonizadas pela Igreja,principalmente num mundo em que falta testemunhos e numa Igreja em que falta santos comprometidos com a vida humana e de cristãos que sejam testemunhas vivas do Amor de DEUS,como foi em vida Zilda Arns e milhares de agentes de nossas pastorais sociais,comprometidos de fato com o Evangelho de Jesus e com o Reino de DEUS.


Na Igreja Primitiva e em alguns casos os santos eram aclamados pelo povo,como mártires e imediatamente a hierarquia os declarava santos.


Dona Zilda cumpriu este requisito da Igreja de ser missionária e mártir,morreu mártir junto a milhares de haitianos pobres e deu testemunho de FÉ ao salvar milhares de vida ameaçadas como médica e sanitarista.


Nestes tempos de espiritualidade e fé intimista,de cada "um por si e Deus por todos'',dona Zilda nos dá o testemunho de uma fé e espiritualidade comprometida com os pobres.


Dona Zilda é um destes anjos bons do povo brasileiro,e uma destes santos e santas de Deus que vale ficar na memória do povo cristão,junto com os mártires Santo Dias da Silva, Pe. Josimo Tavares, Pe Reinaldo santos brasileiros de sangue e coração.




Dona Zilda Arns,rogai por nós! "santa subito!"






Júlio Lázaro Torma * militante da Pastoral Operária da Diocese de Pelotas/ RS

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

SE A TRISTEZA VIER


Se a tristeza vier por qualquer motivo,faça o seguinte:
Assopre o pensamento triste,deixe escorrer a última lágrima,conte até vinte.
Abra então a janela,aquela que dá para o vôo dos pardais,procure a luz que pisca lá na frente(evite as sombras que ficaram lá pra trás).
Ao encontrá-la,coloque-a dentro do peito de tal jeito,que possa ser notada do lado de fora
Acrescente agora uma pitada de poesia,do tipo que passa por nós todos os diase nem sequer consegue ser notada;
Aumente o brilho,com toda intensidade de que um sorriso é capaz.
A felicidade é o seu limite,e o paraíso é você mesmo quem faz.
Não se esqueça jamais disso e viva feliz!!!
Bom dia pra você!
Autor Desconhecido

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010


Defender a vida, a dignidade das famílias e crianças ajuda a diminuir a violencia e promove a paz.


Sentimos pelo morte de Zilda Arns, exemplo de acolhida e amor aqueles que mais precisam, os favoritos de Jesus.


Saudosa Drª Zilda receba nosso carinho.


Muita Luz!!!